ETIAS pode ficar para 2027, mas ainda não há nova data oficial

A imprensa aponta novo atraso do ETIAS, enquanto a União Europeia ainda mantém o fim de 2026. Para o viajante, a diferença evita fraude e gasto inútil.

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Viajante com passaporte brasileiro consulta celular diante dos portões biométricos no aeroporto de Schiphol
Imagem ilustrativa para a WiseHub News.

O ETIAS voltou a escorregar no calendário europeu. O Financial Times informou que a autorização de viagem dificilmente entrará em operação em 2026. O portal oficial da União Europeia, porém, ainda mantém o início no quarto trimestre deste ano e avisa que nenhuma solicitação está sendo recebida.

Essa diferença não é um detalhe semântico. Uma reportagem pode antecipar uma decisão que ainda não foi formalizada. Para o brasileiro que pretende visitar a Holanda, tratar as duas coisas como se fossem iguais cria dois riscos: planejar com uma data que ainda não existe no calendário oficial e pagar a uma página que oferece uma autorização indisponível.

Em 27 de julho de 2026, a informação segura cabe em uma frase: o adiamento para 2027 é provável e tem base em apuração jornalística relevante, mas a União Europeia ainda não publicou uma nova data oficial.

O que foi publicado e o que foi confirmado

O Financial Times noticiou que o bloco deve adiar o ETIAS em razão das dificuldades operacionais do Sistema de Entrada e Saída, conhecido pela sigla EES. A Euronews e o portal holandês IamExpat repercutiram a apuração. As reportagens descrevem 2027 como o novo horizonte provável.

A posição institucional continua diferente. O portal administrado pela Comissão Europeia e pela agência eu-LISA informa que o ETIAS começará no último trimestre de 2026. A mesma página afirma que a data específica será comunicada com vários meses de antecedência e que nenhuma providência é exigida dos viajantes neste momento.

2027 é hoje uma previsão jornalística. O quarto trimestre de 2026 continua sendo a previsão oficial. Nenhuma das duas equivale a uma data de lançamento confirmada.

Esse cuidado editorial importa porque o próprio regulamento deixa a aplicação prática condicionada a uma data que ainda será determinada pela Comissão Europeia. Até que esse ato seja publicado e o canal oficial passe a aceitar pedidos, não existe autorização que o viajante possa comprar.

Por que o EES interfere no ETIAS

Os dois sistemas fazem parte da modernização das fronteiras externas europeias, mas cumprem funções diferentes. O EES registra entradas, saídas e dados biométricos de grande parte dos visitantes de fora da União Europeia. Ele passou a operar de forma completa em todos os pontos de fronteira abrangidos em 10 de abril de 2026.

O ETIAS será uma autorização anterior à viagem para nacionais de países isentos de visto. Ele não substituirá o EES, o passaporte ou a análise do agente de fronteira.

SistemaMomentoFunçãoSituação em 27 de julho
EESNa fronteiraRegistra entrada, saída, imagem facial e impressões digitaisEm operação completa desde 10 de abril de 2026
ETIASAntes da viagemFaz análise prévia de viajantes isentos de vistoNão aceita solicitações; início oficial ainda previsto para o quarto trimestre

O lançamento do EES trouxe filas e pressão sobre aeroportos durante a temporada europeia. Associações de companhias e aeroportos relataram espera de até cinco horas em alguns períodos de pico e pediram maior flexibilidade operacional. É nesse contexto que fontes ouvidas pelo Financial Times consideraram inviável acrescentar o ETIAS ainda em 2026.

A relação entre os problemas do EES e o possível adiamento do ETIAS é, portanto, uma explicação relatada pela imprensa. Não deve ser apresentada como decisão formal da Comissão enquanto o calendário oficial não for alterado.

Quem precisará pedir a autorização

Quando começar, o ETIAS alcançará nacionais de países e territórios que hoje fazem viagens curtas sem visto para 30 países europeus. O Brasil está nessa lista. A Holanda também está entre os destinos que exigirão a autorização.

O documento ficará vinculado ao passaporte usado na solicitação. A validade será de três anos ou até o vencimento desse passaporte, o que ocorrer primeiro. Um novo passaporte exigirá uma nova autorização.

A regra será voltada a estadias curtas, normalmente limitadas a 90 dias dentro de qualquer período de 180 dias. Ter ETIAS válido não ampliará esse prazo e não garantirá entrada automática. O agente de fronteira continuará verificando as demais condições.

O custo oficial será de €20. Menores de 18 anos, pessoas com mais de 70 anos e algumas categorias de familiares de cidadãos europeus ficarão dispensados do pagamento, embora ainda possam precisar apresentar a solicitação.

Quem possui autorização ou cartão de residência emitido por um dos países participantes está entre as categorias dispensadas do ETIAS. No caso de uma residência holandesa válida, o IND orienta o viajante a levar o passaporte e o documento de residência para retornar ao país. Uma autorização vencida pode mudar o procedimento e não deve ser tratada como equivalente a um documento válido.

A transição será maior do que seis meses

A entrada em vigor não produzirá uma barreira rígida no primeiro dia. O desenho jurídico prevê uma fase transitória de pelo menos seis meses. Nesse período, os viajantes deverão solicitar o ETIAS, mas a ausência da autorização, por si só, não causará recusa quando as demais condições de entrada estiverem atendidas.

Depois virá um período de tolerância também de pelo menos seis meses. A exceção será mais estreita: valerá para a primeira entrada realizada após o encerramento da fase transitória, desde que os outros requisitos sejam cumpridos.

Somadas, as duas fases durarão pelo menos 12 meses. Dizer apenas que haverá seis meses de tolerância omite a segunda etapa e pode levar o leitor a imaginar uma regra mais simples do que a prevista no regulamento.

Hoje, pagar pelo ETIAS é sinal de alerta

O portal oficial é explícito: o sistema não está em operação e não coleta solicitações. Isso torna suspeita qualquer página que prometa emitir agora uma autorização, reservar prioridade ou garantir aprovação mediante pagamento.

A União Europeia já identificou páginas não oficiais que imitam a identidade institucional, cobram valores adicionais e coletam dados pessoais ou financeiros. Intermediários comerciais poderão atuar quando o sistema estiver aberto, mas a União Europeia não os credencia como representantes oficiais.

O endereço legítimo termina em europa.eu. Quando a solicitação for liberada, o formulário oficial estará no portal do ETIAS e no aplicativo indicado pela União Europeia. Até lá, não há motivo para fornecer número de passaporte, data de nascimento ou cartão de crédito a quem promete antecipar o processo.

Como planejar sem depender de rumor

  • Não solicite nada agora. A União Europeia ainda não recebe pedidos de ETIAS.
  • Use o portal oficial como relógio. A data válida será publicada com antecedência no domínio europa.eu.
  • Separe viagem e residência. ETIAS serve para visita curta de quem é isento de visto. Não cria direito de morar ou trabalhar.
  • Confira a validade do passaporte. A futura autorização estará vinculada ao documento informado.
  • Leve a residência válida. Quem mora legalmente na Holanda deve observar as orientações do IND para sair e retornar.
  • Desconfie de urgência comercial. Nenhuma empresa pode entregar hoje uma autorização que o sistema oficial ainda não emite.

Os sucessivos adiamentos mostram a dificuldade europeia de integrar tecnologia, segurança e fluxo de passageiros em dezenas de fronteiras. Para o viajante, porém, a resposta não precisa ser complexa. Não é necessário adivinhar se o ETIAS chegará em dezembro ou em 2027. É necessário acompanhar a fonte oficial, preservar os próprios dados e só agir quando as solicitações forem realmente abertas.

A Holanda continuará aplicando as regras de entrada já vigentes enquanto o ETIAS não começa. O EES pode alterar a experiência no controle de passaportes, mas não transforma uma página privada em canal de autorização. O atraso mais importante não é o do seu planejamento. É o do sistema europeu.


Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui orientação migratória ou jurídica individual. Datas, procedimentos e condições de entrada podem ser atualizados pelas autoridades europeias.

Fontes