Recusas do PGWP quase dobram e elevam o risco no Canadá
Os dados do IRCC mostram que estudar no Canadá já não garante uma transição previsível para o trabalho.
A taxa de recusa dos pedidos novos de permissão de trabalho pós-diploma passou de 12% em 2024 para 21% nos onze primeiros meses de 2025. O plano de estudo precisa mudar antes do embarque, não depois da formatura. O Post-Graduation Work Permit, o PGWP, sempre foi vendido como a recompensa quase automática do estudante internacional no Canadá: termina o curso, pede a permissão de trabalho, começa a somar a experiência canadense que abre o Express Entry. Os dados do IRCC compilados sobre pedidos processados entre 1º de janeiro de 2023 e 30 de novembro de 2025, divulgados pelo advogado de imigração Steven Meurrens, mostram que esse automatismo acabou. Os números são diretos. Nos pedidos novos de PGWP, a taxa de recusa foi de 13% em 2023, caiu para 12% em 2024 e saltou para 21% nos onze primeiros meses de 2025. Dito de outro jeito, a taxa de aprovação passou de 87% em 2023 para 79% no recorte de 2025. Nos pedidos de extensão o quadro é bem mais estável: 2% em 2023, 2% em 2024 e 3% em 2025. O volume também encolheu. Foram 243.780 PGWPs emitidos em 2023, 205.340 em 2024 e 154.610 nos onze primeiros meses de 2025. Parte dessa queda vem da própria redução do universo de candidatos, não só das recusas. O ponto que amarra tudo é a mudança de elegibilidade de novembro de 2024, que reduziu quem pode pedir. Passou a haver exigência de proficiência em idioma, com CLB 7 para quem se forma em universidade e CLB 5 para quem se forma em college, e passou a valer a regra de alinhamento entre a área de estudo e as ocupações elegíveis para a maioria dos programas não universitários. São dois filtros que agem antes do diploma, no momento da escolha do curso. A leitura prática para quem está planejando é desconfortável, mas útil. O risco do projeto migratório por estudo deixou de estar concentrado no visto de estudante e migrou para a etapa seguinte. Aprovar o study permit e concluir o curso não garante mais a permissão de trabalho no fim, e é justamente a permissão de trabalho que sustenta a experiência canadense exigida nas rotas de residência. O que fazer com isso é bastante concreto. Antes de escolher a instituição e o programa, confirme se o curso dá direito ao PGWP e, no caso de college, se a área consta na lista de campos elegíveis. Trate o teste de idioma como requisito do plano inteiro, e não como uma etapa distante: quem só descobre o CLB exigido perto da formatura tem pouco tempo para reagir. E monte o orçamento considerando a hipótese de recusa, porque hoje ela alcança um em cada cinco pedidos novos. O Canadá continua sendo um dos destinos mais coerentes para quem quer transformar estudo em residência. A diferença é que a coerência agora está toda na escolha inicial. Quem seleciona o curso pela mensalidade ou pela cidade, sem olhar a elegibilidade ao PGWP, está apostando o projeto inteiro numa etapa que ficou bem menos generosa.
Leitura WiseHub: a decisão antes do protocolo
O órgão central para acompanhar este tema é Immigration, Refugees and Citizenship Canada. A decisão mais prudente agora é validar a elegibilidade do curso, da instituição e da documentação antes da matrícula. O alcance individual depende da categoria, da data e dos documentos de cada pessoa.
O aumento das recusas desloca a principal decisão para o início do projeto. Instituição, nível do curso, área de formação e prova de idioma precisam ser examinados como partes da mesma rota. Uma matrícula válida pode levar a um diploma legítimo e, ainda assim, não produzir elegibilidade ao PGWP se o programa não atender às regras vigentes.
O dado de recusa também pede cautela na leitura. Ele não significa que todo estudante tenha uma chance uniforme de 21%. Processos incompletos, cursos fora dos critérios e requisitos linguísticos afetam grupos de maneiras diferentes. A estatística serve para abandonar a ideia de automatismo, não para prever o resultado de uma candidatura individual.
Onde o planejamento pode falhar
O risco específico é presumir que a conclusão do curso produz automaticamente direito ao visto de trabalho. Esse ponto deve ser resolvido antes de qualquer compromisso financeiro ou mudança irreversível.
Documentos para este caso
Antes de pagar a primeira parcela, o estudante precisa reunir evidências sobre o curso escolhido e guardar a versão das regras consultadas naquela data. Essa documentação ajuda a detectar mudanças durante a formação.
- Carta de conclusão.
- Histórico acadêmico.
- Prova de idioma quando exigida.
- Registro de presença e situação migratória.
O próximo sinal relevante
Acompanhe as páginas do IRCC sobre instituições, campos de estudo, idioma e prazo de solicitação. Alterações nessa etapa podem exigir uma resposta meses antes da formatura. Quem está perto de concluir deve conferir também a validade do status atual e o momento correto para obter a carta de conclusão.
Conclusão WiseHub
Estudar no Canadá continua podendo abrir uma trajetória profissional consistente. A diferença é que o valor migratório do curso precisa ser demonstrado antes da matrícula. Escolher apenas por preço, cidade ou marketing transfere um risco grande para o momento em que quase todo o investimento já foi feito.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não constitui aconselhamento jurídico, migratório ou financeiro individual. Regras e procedimentos podem mudar. Consulte Immigration, Refugees and Citizenship Canada e um profissional habilitado antes de tomar uma decisão.