Croácia depende da imigração para equilibrar sua conta demográfica

O saldo migratório positivo superou a perda natural de população em 2025. Estrangeiros já sustentam setores essenciais, sob regras formais de trabalho.

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Trabalhadores estrangeiros seguem para o trabalho ao lado de moradores de Zagreb
Imagem ilustrativa para a WiseHub News.

A imigração produziu em 2025 o contrapeso que os nascimentos já não conseguem oferecer à Croácia. O país recebeu 56.665 pessoas e viu 37.485 saírem, um saldo migratório positivo de 19.180. No mesmo ano, registrou 17.528 mortes a mais do que nascimentos.

Os dois dados foram publicados pelo instituto oficial de estatística no mesmo dia, 17 de julho. Lidos em conjunto, revelam uma mudança estrutural. O excedente migratório foi 1.652 pessoas maior do que a perda natural, antes dos demais ajustes usados na estimativa final da população.

A Croácia ainda fala em estimular nascimentos e trazer sua diáspora de volta. Na prática, porém, a presença de trabalhadores estrangeiros já se tornou parte do funcionamento da economia, principalmente em turismo, construção e serviços.

Mais chegadas do que partidas

O Croatian Bureau of Statistics registrou 56.665 imigrantes em 2025, contra 37.485 emigrantes. Entre quem chegou, 70,3% eram estrangeiros e 29,7% cidadãos croatas. Isso mostra que o fluxo deixou de ser explicado principalmente pelo retorno de nacionais.

Dos imigrantes, 17% vieram da Alemanha, 11,1% da Bósnia e Herzegovina e 11,1% do Nepal. O país de origem do deslocamento não é necessariamente a nacionalidade. Parte do fluxo vindo da Alemanha pode incluir croatas que retornaram, enquanto o número do Nepal evidencia a expansão do recrutamento fora da Europa.

O conjunto de chegadas inclui ainda pessoas deslocadas da Ucrânia que receberam proteção temporária. A estatística não deve ser lida como uma única categoria de visto ou um retrato exclusivo do mercado de trabalho.

Mesmo assim, o instituto afirma que estrangeiros com permissões de residência e trabalho representam parcela significativa dos movimentos registrados. Em abril de 2026, o Ministério do Interior informou que 105.231 trabalhadores estrangeiros possuíam autorização válida e endereço registrado no país.

A imigração já não é uma variável lateral: ela influencia o tamanho da força de trabalho, a demanda por moradia e a capacidade de setores inteiros.

A perda natural continua em todas as regiões

Em 2025, nasceram 32.479 crianças vivas e morreram 50.007 pessoas. O saldo natural ficou negativo em 17.528, equivalente a uma taxa de menos 4,5 por mil habitantes.

O número melhorou em relação a 2024, quando a perda natural havia chegado a 19.011, mas permaneceu negativo em todos os condados. Somente 43 cidades e municípios registraram mais nascimentos do que mortes. Outros 509, além de Zagreb, apresentaram saldo negativo.

O índice vital foi de 64,9 nascimentos para cada 100 mortes. A relação ajuda a explicar por que a recuperação demográfica não pode depender apenas de uma melhora pontual na natalidade.

Componente em 2025Resultado
Imigração56.665 pessoas
Emigração37.485 pessoas
Saldo migratório19.180 pessoas
Nascimentos vivos32.479 pessoas
Mortes50.007 pessoas
Saldo naturalMenos 17.528 pessoas

O perfil do fluxo acompanha o mercado de trabalho

Os homens representaram 66,3% dos imigrantes e 73,7% dos emigrantes. Entre os que deixaram o país, 54,2% tinham de 20 a 39 anos. A Croácia continua perdendo pessoas em idade produtiva ao mesmo tempo que recruta mão de obra para preencher vagas.

Zagreb recebeu a maior parcela dos imigrantes, com 18,3%. Split e Dalmácia responderam por 11%, e a Ístria por 10,5%. As três áreas concentram mercado de serviços, construção, turismo ou atividade urbana capaz de absorver trabalhadores.

O movimento não é uniforme. O Condado de Zagreb teve o maior saldo total positivo, com 3.475 pessoas, seguido pela Ístria, com 3.275. Sisak e Moslavina registraram o maior saldo total negativo, menos 558.

Essa distribuição importa para quem considera uma oferta. A demanda, o custo de moradia e a capacidade de integração mudam bastante entre Zagreb, a costa turística e regiões do interior.

Trazer a diáspora de volta é outra parte da estratégia

O governo não aposta somente em novos trabalhadores. Em 9 de julho, o Ministério da Demografia e Imigração abriu uma chamada de €1,2 milhão para organizações que desenvolvam projetos de retorno, imigração e integração da diáspora croata.

O dinheiro não é um pagamento geral para qualquer pessoa que decida voltar. A chamada financia entidades elegíveis, com projetos voltados a apoio, conexão profissional, cultura e integração. Os valores variam conforme a prioridade e podem chegar a €40 mil por projeto em várias categorias.

Em junho, o ministério também anunciou até 700 bolsas para estudo do idioma croata no ano acadêmico de 2026 e 2027. O programa atende emigrantes, descendentes e cônjuges elegíveis. Idioma e reconhecimento de vínculos são tratados como infraestrutura de retorno.

A necessidade de gente não elimina o controle

A Croácia faz parte da União Europeia e do espaço Schengen. Desde abril de 2026, o Entry Exit System passou à operação integral nas fronteiras externas, substituindo carimbos manuais pelo registro digital de entradas e saídas de cidadãos de países terceiros.

O sistema acompanha data, local, duração da estadia e recusas de entrada. Ele trata principalmente do controle de visitantes de curta permanência e não substitui uma autorização de residência ou trabalho.

Essa digitalização não contradiz a dependência de imigração. O país procura ampliar os canais legais que sustentam o mercado, enquanto melhora a capacidade de identificar quem entra, por quanto tempo fica e qual status possui.

Como funciona a contratação de quem vem de fora do EEE

Cidadãos de países terceiros precisam, em regra, de uma permissão única de residência e trabalho ou de um certificado de registro laboral. A autorização fica vinculada à atividade e ao empregador indicados no processo.

Para muitas vagas, a empresa deve pedir um teste do mercado de trabalho e obter parecer do Croatian Employment Service. Ocupações de alta demanda podem dispensar o teste, mas ainda depender de parecer. Renovações com o mesmo empregador e determinadas categorias, como o EU Blue Card, possuem regras próprias.

O trabalho sazonal em agricultura, silvicultura, hotelaria e turismo pode durar até seis meses por ano. Para períodos de até 90 dias, existem hipóteses de dispensa do teste e do parecer. A exceção precisa corresponder ao tipo de atividade e à duração real.

O profissional só pode exercer a função autorizada e trabalhar para a empresa indicada. Trocar de empregador ou atividade sem ajustar a permissão pode colocar o status em risco.

O que a comunidade WiseHub deve avaliar

  • Não transforme o dado demográfico em promessa de visto. A necessidade de trabalhadores não elimina os requisitos da vaga.
  • Confirme se existe teste de mercado. O empregador deve saber qual procedimento se aplica à ocupação.
  • Verifique o vínculo da permissão. Função e empresa precisam coincidir com o trabalho realizado.
  • Compare cidades. Zagreb, Ístria e Dalmácia têm oportunidades e custos diferentes.
  • Se houver ascendência croata, investigue os programas corretos. Retorno da diáspora e imigração laboral são caminhos distintos.
  • Planeje idioma e integração. A contratação resolve o status inicial, mas não substitui adaptação social e profissional.

Os números de 2025 mostram um país que não consegue repor naturalmente sua população, mas ainda atrai pessoas suficientes para compensar essa perda. A imigração tornou-se parte da resposta demográfica antes mesmo de o debate público terminar de reconhecer essa dependência.

Para o candidato, a oportunidade está no mercado real de trabalho. Para a Croácia, o desafio é maior: transformar um fluxo concentrado em setores e regiões específicos em permanência, integração e renovação de longo prazo.


Este conteúdo tem finalidade informativa e não constitui aconselhamento jurídico ou migratório individual. Regras, listas de demanda e procedimentos podem mudar. Consulte o Ministério do Interior e os órgãos de emprego da Croácia antes de tomar decisões.

Fontes