Itália: PIB de 2025 é revisto para 0,6%, déficit segue em 3,1% e energia pressiona indústria

Istat e OCDE atualizam retrato da economia italiana. Revisão do ano passado, projeções futuras e preços na produção medem coisas diferentes.

Compartilhar
Técnica com óculos de proteção mede uma peça de aço com paquímetro em fábrica iluminada por claraboias, em cena industrial ilustrativa.
Imagem ilustrativa para a WiseHub News.

A Itália teve a estimativa de crescimento de 2025 revista para 0,6%, mas o déficit público permaneceu em 3,1% do PIB. A revisão do Istat, publicada em 22 de setembro, foi seguida por uma projeção mais favorável da OCDE para 2026 e por novos sinais de pressão dos preços de energia sobre a indústria.

As três divulgações descrevem partes diferentes da economia. O resultado das contas nacionais se refere a 2025; a OCDE estima o desempenho de 2026 e 2027; e os preços industriais medem agosto de 2026. Juntar esses números sem distinguir os períodos pode dar uma impressão errada tanto sobre o crescimento quanto sobre o custo de vida.

O que mudou nas contas de 2025

O Istat elevou em 0,1 ponto percentual o crescimento real de 2025, de 0,5% para 0,6%. O PIB a preços correntes foi revisto para aproximadamente € 2,265 trilhões. A atualização incorporou informações recebidas depois da divulgação anterior e ajustes de fontes e métodos.

Os investimentos fixos brutos cresceram 3,9% em volume no ano. O consumo final nacional aumentou 1,0%; as exportações, 1,7%; e as importações, 4,2%. A demanda interna, excluídos os estoques, contribuiu positivamente para o crescimento, enquanto o saldo externo e a variação dos estoques tiveram contribuição negativa.

O déficit das administrações públicas ficou em 3,1% do PIB, ante 3,4% em 2024. Antes dos juros, houve superávit primário de 0,8% do PIB. A carga tributária agregada chegou a 42,9%: esse indicador relaciona a arrecadação ao produto do país e não corresponde à alíquota cobrada de cada pessoa.

O procedimento europeu continua aberto

Na consulta à página da Comissão Europeia, a Itália seguia sujeita ao procedimento por déficit excessivo. O Conselho havia recomendado, em janeiro de 2025, a correção da situação de déficit excessivo até 2026. Essa meta fiscal não deve ser confundida com uma decisão de encerramento já aprovada.

O valor de referência europeu para o déficit é 3% do PIB. A revisão do Istat manteve o resultado de 2025 acima dele. O procedimento envolve avaliação das instituições europeias e acompanhamento das medidas de correção; uma divulgação estatística nacional não o encerra sozinha.

Em reportagem de 22 de setembro, a ANSA registrou que o ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, passou a apontar 2027 como possibilidade de saída. É uma expectativa política sobre a trajetória dos próximos passos, não uma garantia de que o encerramento ocorrerá naquele ano. Tampouco o comunicado do Istat cria um imposto novo ou altera diretamente um benefício individual.

OCDE prevê crescimento de 0,9% em 2026

No relatório intermediário de 23 de setembro, a OCDE elevou a previsão de crescimento italiano para 2026 de 0,5% para 0,9%. Para 2027, manteve 0,6%. A projeção de inflação geral ficou em 3,0% neste ano e 2,6% no próximo; esta última foi aumentada em 0,4 ponto percentual em relação a junho.

Há uma diferença de data importante: as tabelas usam informações disponíveis até 16 de setembro. Por isso, o documento ainda mostra 0,5% para o crescimento italiano de 2025, anterior à revisão do Istat para 0,6%. Não se trata de dois resultados referentes a anos diferentes, mas de versões da informação publicadas em momentos distintos.

O cenário da OCDE permanece condicionado, entre outros fatores, à evolução dos mercados de energia. A organização ressalta incertezas sobre interrupções de oferta, preços e efeitos sobre o poder de compra. A melhora na previsão do PIB não elimina esses riscos nem transforma o percentual projetado em renda garantida para as famílias.

Energia puxa a alta dos preços industriais

Em divulgação de 29 de setembro, o Istat informou que os preços à produção da indústria subiram 2,4% em agosto frente a julho e 10,9% em um ano. No mercado interno, as altas foram de 3,1% no mês e 13,5% na comparação anual.

Sem o segmento energético, a variação interna ficou bem menor: 0,3% no mês e 3,3% no ano. No mercado externo, o índice aumentou 0,3% e 3,9%, respectivamente. O contraste mostra por que a composição do indicador importa para interpretar a pressão de preços.

Na construção, os preços de edifícios residenciais e não residenciais ficaram estáveis no mês e subiram 2,9% em um ano. Para estradas e ferrovias, os aumentos foram de 1,1% e 5,7%. São recortes de produção, não o preço de venda de uma casa nem a inflação da cesta de consumo de uma família.

Assim, os 10,9% não podem ser usados como se fossem o aumento geral do custo de vida na Itália. O indicador acompanha outra etapa da atividade econômica e não determina um repasse automático, no mesmo percentual, para salários, aluguéis ou compras no varejo.

Fontes

Compartilhe WhatsApp LinkedIn