Quatro brasileiros são presos em Orlando sob suspeita de fraude imigratória de US$ 20 milhões.

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Quatro brasileiros são presos em Orlando sob suspeita de fraude imigratória de US$ 20  milhões.

Operação conjunta envolveu Orange County Sheriff's Office, Homeland Security Investigations e a Procuradoria-Geral da Flórida. Segundo as autoridades, a empresa Legacy Imigra cobrava por serviços de imigração executados por pessoas sem habilitação legal e tinha como clientes majoritários imigrantes brasileiros indocumentados.


Quatro pessoas foram presas em 22 de abril de 2026 em Orlando, na Flórida, sob suspeita de operar um esquema de fraude imigratória que movimentou mais de US$ 20 milhões em aproximadamente três anos. As prisões foram anunciadas em coletiva pelo xerife do condado de Orange, John Mina. A empresa investigada, Legacy Imigra, ficava em Kingspointe Parkway e se apresentava como agência de serviços de imigração.

Os investigados respondem pelas mesmas quatro imputações criminais: racketeering (organização criminosa), organized fraud (fraude organizada), extortion (extorsão) e unauthorized practice of law (exercício ilegal da advocacia). Na coletiva, Mina afirmou que parceiros do Homeland Security Investigations (HSI), braço investigativo do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, avaliam preliminarmente que o caso pode representar o maior episódio de fraude imigratória já investigado pela agência federal.

"Eles basicamente ficaram ricos através de um modelo de negócios construído em manipulação, fraude, mentiras e extorsão. E a maioria dos clientes deles, a maioria dos quais são brasileiros, não chegou mais perto de realizar seus sonhos de se tornar americanos", afirmou o xerife.

Os investigados

São apontados como núcleo da operação: Vagner Soares De Almeida (também grafado "Dealmeida" e identificado como fundador); Juliana Colucci, sua esposa, descrita pelas autoridades como cogestora; Lucas Felipe Trindade Silva (grafia também registrada como "Felope" em parte da cobertura inicial); e Ronaldo Decampos. Outras dez pessoas foram detidas no local, sem indiciamento formal, e foram colocadas sob custódia do Immigration and Customs Enforcement (ICE), podendo ser alvo de processo de remoção.

Segundo o xerife, Vagner Dealmeida estaria nos Estados Unidos em situação irregular, na condição de visa overstayer, categoria que designa quem permanece no país após o vencimento do prazo do visto.

Como o esquema operava

A apuração teve origem em setembro de 2025, quando uma advogada inscrita na Florida Bar (ordem dos advogados do estado) procurou o Orange County Sheriff's Office relatando múltiplas reclamações de clientes da Legacy Imigra. A investigação evoluiu por aproximadamente sete meses antes da fase ostensiva.

Conforme a reconstituição divulgada pelas autoridades, a empresa captava clientes por meio de redes sociais e indicações dentro da comunidade brasileira, com mensagens ancoradas em prazos curtos, "soluções garantidas" e ofertas de pedidos de asilo. Os representantes da Legacy Imigra apresentavam-se aos clientes como advogados de imigração, embora nenhum dos investigados detivesse licença em qualquer estado americano. Em matéria migratória, somente advogados com licença ativa em algum estado americano ou representantes credenciados pelo Departamento de Justiça podem atuar perante o United States Citizenship and Immigration Services (USCIS).

A camada de extorsão

Na coletiva, Mina descreveu o elemento que fundamenta a imputação específica de extorsão: "A Legacy criou contas de e-mail em nome das vítimas sem o conhecimento ou o consentimento delas, e depois retinha documentos e dizia às vítimas que elas não receberiam seus papéis a menos que pagassem dinheiro adicional."

Conforme a investigação, as contas de e-mail abertas em nome dos clientes recebiam, no lugar deles, comunicações oficiais do USCIS. A retenção desses documentos pela empresa era usada como instrumento para exigir pagamentos adicionais.

O perfil das vítimas

Até a data da coletiva, sete vítimas haviam formalizado cooperação com a investigação, com perdas individuais entre US$ 2.500 e US$ 26.000, segundo o Orange County Sheriff's Office. As vítimas identificadas vivem em quatro estados: Flórida, Carolina do Sul, Connecticut e Nova Jersey. As autoridades estimam que o número total de afetados pode chegar a centenas, considerando o volume de US$ 20 milhões reportado.

Mina mencionou na coletiva uma alternativa para as vítimas dispostas a colaborar: "As vítimas que cooperarem com os investigadores poderão solicitar um visto que permitiria que elas permanecessem no país enquanto ajudam com o caso."

A referência é ao U-Visa, criado pelo Victims of Trafficking and Violence Protection Act, de 2000, e destinado a vítimas de crimes graves, entre os quais extorsão e fraude, que cooperem com autoridades. O visto concede autorização de residência por até quatro anos e pode abrir caminho para a residência permanente. A concessão depende de certificação oficial da agência investigadora e de petição preparada por advogado habilitado.

O caso seguirá pelas etapas previstas no sistema penal estadual da Flórida: leitura formal das acusações, definição de fianças, audiências preliminares e, eventualmente, julgamento. Permanecem em aberto possíveis indiciamentos adicionais e o número final de vítimas formalmente reconhecidas pela investigação.

Reportagem da WiseHub News. Apuração baseada na coletiva oficial do Orange County Sheriff's Office em 22 de abril de 2026 e em material público sobre a operação Legacy Imigra. Acuracidade dos termos jurídicos referenciada no Florida RICO Act, no Florida Organized Fraud Statute, no Immigration and Nationality Act e no Victims of Trafficking and Violence Protection Act de 2000. As acusações descritas são imputações criminais; os investigados gozam, sob o devido processo legal, da presunção de inocência até decisão judicial definitiva.

Esta matéria tem caráter informativo e não constitui aconselhamento jurídico.

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