Portugal, Espanha e Itália reduzem desemprego entre jovens com ensino superior
OCDE mostra melhora entre 2015 e 2025, mas os três países seguem acima da média comparável. Dados de escolaridade e jovens fora de emprego exigem leituras distintas.
Portugal, Espanha e Itália reduziram, entre 2015 e 2025, o desemprego entre adultos de 25 a 34 anos com ensino superior. Ainda assim, os três países permaneceram acima da média comparável da OCDE. As notas nacionais do Education at a Glance 2026 também registram avanços na escolaridade e redução da proporção de jovens fora do emprego, da educação e da formação.
Os indicadores ajudam a avaliar a transição entre estudo e trabalho, mas não medem a mesma população. Também não são uma fotografia do mercado em outubro de 2026: os resultados apresentados nesta comparação se referem a 2025 e à evolução desde 2015.
Dois indicadores, duas populações
| País | Desemprego com ensino superior | Jovens fora de emprego e educação |
|---|---|---|
| Portugal | 13% → 6% | 19% → 15% |
| Espanha | 18% → 8% | 23% → 17% |
| Itália | 16% → 6% | 30% → 16% |
| Média OCDE comparável | 7% → 5% | 16% → 13% |
Na coluna de desemprego, o recorte é de pessoas de 25 a 34 anos com formação superior que integram a força de trabalho. Na outra coluna, o indicador NEET considera toda a população de 18 a 24 anos e identifica quem não está em emprego, educação ou formação. As médias da OCDE usam países com dados disponíveis nos dois anos para cada indicador.
Portugal amplia a formação superior
Em Portugal, a parcela de adultos de 25 a 34 anos com formação superior passou de 33% em 2015 para 43% em 2025. O avanço de dez pontos percentuais ainda deixa o país abaixo da média de 47% da OCDE para essa faixa etária.
Ao mesmo tempo, a proporção sem conclusão do ensino secundário superior caiu de 33% para 15%. O relatório registra, porém, uma diferença entre homens e mulheres: em 2025, 19% dos homens de 25 a 34 anos não haviam concluído esse nível, contra 11% das mulheres.
A melhora educacional convive com desafios de inserção profissional. O desemprego entre os jovens adultos com formação superior caiu para 6%, mas a proporção de pessoas de 18 a 24 anos fora de emprego e educação permaneceu em 15%, acima dos 13% da média comparável.
Espanha melhora, mas mantém distância no desemprego
A Espanha teve uma redução de dez pontos percentuais no desemprego entre pessoas de 25 a 34 anos com ensino superior: de 18% para 8%. Entre os três países analisados aqui, é o maior nível em 2025, apesar do avanço em relação a uma década antes.
A parcela de jovens de 18 a 24 anos fora de emprego e educação diminuiu de 23% para 17%. Já entre os adultos de 25 a 34 anos, a proporção sem ensino secundário superior caiu de 34% para 25% — ainda acima dos 12% da OCDE.
Esses dados não significam que um quarto dos jovens espanhóis esteja desempregado. Os 25% descrevem escolaridade; os 17%, a combinação entre estudo e trabalho em outra faixa etária; e os 8%, desemprego entre participantes da força de trabalho com formação superior.
Itália tem a maior redução no indicador NEET deste trio
Na Itália, a proporção de pessoas de 18 a 24 anos fora de emprego e educação caiu de 30% para 16%, uma redução de 14 pontos percentuais. O resultado aproxima o país da média de 13%, mas não elimina a diferença.
O desemprego entre os jovens adultos com ensino superior diminuiu de 16% para 6%. A parcela de pessoas de 25 a 34 anos sem conclusão do ensino secundário superior também recuou, de 26% para 19%.
A nota italiana menciona iniciativas de formação, apoio à inserção profissional e combate ao abandono escolar. A presença desses programas no relatório, contudo, não permite atribuir toda a queda a uma política específica. A comparação descreve a mudança observada, não uma avaliação causal de cada intervenção.
Por que NEET não é sinônimo de desemprego
Na definição da OCDE, a taxa de desemprego considera pessoas sem trabalho que procuram ocupação e estão disponíveis para começar. O denominador é a força de trabalho, não todos os moradores da mesma idade.
O indicador NEET inclui tanto desempregados quanto pessoas fora da força de trabalho, desde que também não participem de educação ou formação. Por isso, não deve ser interpretado como escolha voluntária de “não fazer nada”. A estatística, sozinha, não identifica as circunstâncias individuais por trás de cada situação.
Para quem compara destinos de estudo e trabalho, os resultados oferecem contexto nacional. Eles não estimam a chance pessoal de contratação, não isolam brasileiros ou recém-chegados e não substituem a análise de uma profissão, região ou qualificação específica. A melhora em dez anos é relevante; transformá-la em garantia de emprego ultrapassaria o que os dados mostram.