Portugal: novos aluguéis sobem 10,2% e venda de casas recua
INE registra aluguel mediano de € 10,17 por m² no segundo trimestre. Preços de compra e avaliações bancárias também avançam, mas medem universos diferentes.
Quem procura moradia em Portugal encontra alta de custos tanto no aluguel quanto na compra, embora o volume de vendas tenha diminuído. Três divulgações do Instituto Nacional de Estatística em setembro mostram esse movimento: os novos contratos de aluguel ficaram mais caros, os preços das casas continuaram subindo e as avaliações feitas para pedidos de crédito também avançaram.
Os números não devem ser somados nem usados como medidas equivalentes. Aluguel é uma despesa mensal; preço de venda é o valor de uma transação; avaliação bancária é uma estimativa realizada no processo de financiamento. Além disso, os dois primeiros relatórios se referem ao segundo trimestre de 2026, enquanto a avaliação tem agosto como mês de referência.
Novos aluguéis: € 10,17 por metro quadrado
Nas estatísticas divulgadas em 29 de setembro, o INE informa uma renda mediana de € 10,17 por m² nos 35.407 novos contratos do segundo trimestre. A alta foi de 10,2% em relação ao mesmo período de 2025; a quantidade de contratos aumentou 0,4%.
Entre as sub-regiões, a Grande Lisboa registrou € 15,24 por m², a Madeira € 12,78, a Península de Setúbal € 11,99, o Algarve € 11,56 e a Área Metropolitana do Porto € 10,83. Já o município de Lisboa, um recorte territorial diferente da Grande Lisboa, apresentou € 17,79 por m².
Mediana é o ponto que divide os valores ordenados em duas metades, não a média aritmética. A estatística acompanha novos contratos: não descreve o valor pago por todos os inquilinos nem determina o reajuste de um contrato existente. O relatório completo de rendas também apresenta séries de 12 meses, que não devem ser comparadas diretamente com os resultados de um único trimestre.
Compra: preços sobem, quantidade de vendas cai
O Índice de Preços da Habitação do segundo trimestre avançou 16,5% em um ano e 3,6% diante do trimestre anterior. A alta anual foi menor que a do primeiro trimestre, mas desaceleração não significa queda: os preços continuaram aumentando, apenas a um ritmo inferior.
As habitações já existentes tiveram aumento anual de 18%, contra 12,3% nas novas. No mesmo período, foram vendidas 40.142 habitações, 6,4% menos que entre abril e junho de 2025. O valor total das transações, entretanto, cresceu 4,2%, para € 10,7 bilhões.
Compradores com domicílio fiscal fora de Portugal adquiriram 1.890 imóveis, queda anual de 10,3%. Esse recorte não mede todas as compras feitas por estrangeiros: um brasileiro com domicílio fiscal em Portugal não pertence ao grupo apenas por sua nacionalidade. A distinção impede atribuir ao relatório conclusões que ele não produz sobre a origem dos compradores.
Avaliação bancária chega a € 2.254 por m²
No inquérito de avaliação bancária referente a agosto, a mediana nacional alcançou € 2.254 por m², mais € 14 que em julho e 14,7% acima de agosto de 2025. Os apartamentos tiveram mediana de € 2.655 por m²; as moradias, de € 1.610.
O indicador considera imóveis avaliados por bancos no âmbito de pedidos de crédito para aquisição de habitação. Não representa todas as casas anunciadas ou vendidas. Embora divulgado mensalmente, é calculado com as avaliações do mês de referência e dos dois anteriores, o que reduz oscilações associadas à diversidade dos imóveis.
Foram consideradas 32.650 avaliações. O INE alerta que mudanças nas características das habitações avaliadas podem influenciar os resultados. Assim, a mediana nacional não informa quanto o banco avaliará um apartamento específico nem quanto aceitará emprestar a determinado comprador.
Como levar os dados para o orçamento
Para quem vai alugar, o primeiro filtro é territorial: compare imóveis semelhantes na mesma região, considerando área, conservação e condições do contrato. Uma referência nacional ajuda a entender a tendência, mas é insuficiente para decidir se uma oferta concreta está adequada ao bairro e ao orçamento familiar.
Na compra financiada, separe o preço negociado da avaliação e das condições do empréstimo. O Banco de Portugal explica que a instituição deve fornecer a Ficha de Informação Normalizada Europeia, a FINE, na simulação e novamente na aprovação. Ela apresenta prestação, prazo, juros, custos associados e montante total a reembolsar, permitindo comparar propostas.
Os relatórios do INE descrevem o mercado; a FINE descreve uma oferta de crédito. Nenhum desses documentos, isoladamente, garante capacidade de pagamento ou valorização futura. A decisão de moradia exige confrontar o custo efetivo da alternativa escolhida com a renda e as demais despesas da família.